QUAL SERÁ O CAMINHO DE JOÃO?: Relembre como os ex-Governadores decidiram por ficar no cargo ou disputar o Senado no fim do mandato

As eleições de 2026 ainda irão demorar bastante para acontecer e muita água deve rolar até lá. Mas nos bastidores da política, duas dúvidas pairam a cabeça daqueles que estudam e analisam os movimentos do Governador João Azevêdo.

João ficará no mandato até o final ou sairá para tentar uma vaga no Senado? O caso de João é bem diferente daqueles que decidiram por não disputar o Senado. O Governador não tinha experiência antes de 2018 e conseguiu criar um lastro político muito relevante nesses cinco anos.

Fez um trabalho louvável no combate a pandemia, conseguindo vencer a reeleição contra três fortíssimos candidatos, amparada pelo apoio de mais de 150 Prefeitos o que só demonstrou a mudança de Azevêdo, que foi de um técnico desconhecido a uma figura popular e politicamente importantíssima.

Nessa matéria vamos relembrar como foram tomadas essas decisões e como isso impactou os rumos da política paraibana.

Desde o retorno da redemocratização em 1982, boa parte dos Governadores, disputou o Senado na eleição seguinte. Wilson Braga, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão e Cássio Cunha Lima fizeram esse movimento, com Wilson sendo o único a não ser eleito.

Desde o retorno da redemocratização em 1982, boa parte dos Governadores, disputou o Senado na eleição seguinte. Wilson Braga, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão e Cássio Cunha Lima fizeram esse movimento, com Wilson sendo o único a não ser eleito.

Wilson Braga foi o primeiro Governador eleito através de eleições diretas desde 1965, em uma disputa acirrada contra o Deputado Federal Antônio Mariz, Wilson conseguiu a vitória filiado ao PDS, que era o partido ligado aos parlamentares da ARENA, que se extinguiu após o fim da Ditadura Militar.

O final do Governo Braga foi marcado por acusações de corrupção e de um suposto envolvimento no assassinato de Paulo Brandão Cavalcante, empresário que administrava o Sistema Correio de Comunicações. O Governador decidiu sair do cargo em maio de 1986 para tentar uma das duas vagas do estado ao Senado. Braga que disputou a eleição pelo PFL, teve Marcondes Gadelha como seu companheiro de chapa na disputa ao Governo contra Tarcísio Burity (MDB).

As turbulências se confirmaram em uma votação surpreendente, onde Wilson ficou na terceira colocação, atrás de Raimundo Lira e Humberto Lucena ambos do MDB e sem também conseguir emplacar Gadelha como Governador.

Tarcísio Burity conseguiu impor sua popularidade e mesmo recém filiado ao MDB, se tornou Governador pela segunda vez, dessa vez pelo voto popular, com uma expressiva vantagem contra Marcondes Gadelha.
O que prejudicou o Governo de Burity foi a turbulenta relação com os outros caciques do partido, o que culminou em uma conflituosa saída em 1989. Em carta endereçada a Humberto Lucena, o Governador relatava entre outros motivos, de que a bancada de Deputados do partido trabalhava contra o Governo e que ficaria no cargo até o seu final. Nas eleições de 1990, Burity se filiou ao PRN, mesmo partido que elegeu Fernando Collor, cumprindo a palavra, não se candidatou ao Senado e apoiou João Agripino Maia que ficou em terceiro lugar na disputa ao Governo. vencida por seu desafeto Ronaldo Cunha Lima.

O Governo Ronaldo, não foi diferente dos anteriores e terminou de forma turbulenta. Em 5 de novembro de 1993, o Governador atirou três vezes no ex-Governador Tarcísio Burity, em um restaurante da capital, no crime que ficou conhecido por Caso Gulliver. Os tiros foram disparados em reação às supostas críticas que Burity teria feito a Cássio Cunha Lima, então superintendente da Sudene. Diferentemente de Wilson Braga que perdeu boa parte da popularidade após os sucessivos escândalos no fim do mandato, Ronaldo renunciou ao cargo para disputar uma das duas vagas ao Senado, sendo o mais votado com mais de 100 mil votos de vantagem, para o também reeleito Humberto Lucena. As eleições de 1994 confirmaram a força do MDB no estado, elegendo 17 Deputados Estaduais, 4 Federais, 2 Senadores e o Governador Antônio Mariz, que derrotou Lúcia Braga no segundo turno.

Após perder as eleições de 1982, Antônio Mariz voltou a Câmara Federal ao ser o Deputado mais votado nas eleições de 1986. A força política de Mariz se confirmou em uma vitória acachapante sobre o então Senador Marcondes Gadelha, pela única vaga ao Senado do estado em 1990.

Todos esses predicados deram ao Senador a chance de mais uma vez ser o candidato a Governador do MDB em 1994. Mais uma vez a disputa seria contra um Braga, mas nesse caso a desafiante foi Lúcia Braga, esposa do ex-Governador e Deputada Federal. Mariz vingou a derrota em 1982, com uma vitória tranquila ganhando os dois turnos de forma categórica. Em todo o processo eleitoral, foi visível a piora do estado de saúde do Governador que só teve sete meses a frente do Palácio da Redenção, falecendo em 16 de setembro de 1995, vitimado por um câncer que já o acompanhava a alguns anos, em seu lugar assumiu o ex-Deputado Federal e Vice Governador José Maranhão.

O candidato natural do partido para a eleição de 1998 era José Maranhão, mas uma ala do partido queria a volta de Ronaldo ao poder, e essa briga resultou em uma ruptura histórica no MDB, onde Maranhão saiu vitorioso, ocasionando a ida de Ronaldo, seu filho Cássio e toda uma ala de apoiadores para o PSDB. Na eleição do mesmo ano, o Governador se reelegeu com uma grande diferença de votos sobre Gilvan Freire, que saiu do partido ao lado dos Cunha Lima e disputou a eleição pelo PSB. José Maranhão teve 80,72% contra 16,11% de Freire, até hoje a maior vantagem da história em uma disputa estadual.

Essa popularidade trouxe a Maranhão, a certeza de vitória em uma eventual disputa ao Senado em 2002, e isso se confirmou com uma votação recorde que perdurou até 2010. O Governador conseguiu incríveis 831.083 votos, contra grandes adversários como os ex-Governadores Tarcísio Burity e Wilson Braga, se elegendo ao lado de Efraim Morais.

A alegria de Maranhão só não foi completa, pois o seu Vice Roberto Paulino, perdeu uma acirrada eleição contra o Prefeito de Campina Grande, Cássio Cunha Lima, trazendo de volta o sobrenome da família, 8 anos após a saída de Ronaldo do Palácio da Redenção.

Cássio se reelegeu em 2006 em uma outra acirrada disputa dessa vez contra José Maranhão, mas os problemas na justiça, nortearam todo segundo mandato do Governador, que se viu envolto em um escândalo sob a acusação de ter distribuído 35 mil cheques a cidadãos carentes durante a campanha eleitoral de 2006, por meio de programa assistencial da Fundação Ação Comunitária (FAC), vinculada ao governo estadual. Segundo a denúncia, os cheques totalizam cerca de R$ 4 milhões.

O Governador teve seu mandato cassado de forma definitiva no dia 17 de fevereiro de 2009, em seu lugar assumiu o segundo colocado José Maranhão. Cássio decidiu sair candidato ao Senado, mesmo tendo seu registro de candidatura negado em base da nova Lei da Ficha Limpa.

O ex-Governador atingiu uma votação recorde que dura até os dias de hoje, passando da marca de 1 milhão de votos, O resultado e o mandato de Cássio ficaram sub judice, aguardando a decisão do STF, que em 23 de março de 2011, decidiu por não retroagir a Lei Ficha Limpa, fazendo-a valer somente a partir das eleições municipais de 2012, dando a Cunha Lima o direito de assumir o cargo.

Se Burity decidiu ficar no cargo e não disputar o Senado, pelo desgaste no final do mandato, Ricardo Coutinho é o total oposto. Reeleito em duas vitórias contra os dois maiores nomes da política paraibana na última década, Ricardo tinha uma imensa popularidade em 2018 e caminhava a passos largos para uma fácil vitória em uma eventual disputa ao Senado.

Mas para a surpresa de todos Ricardo decidiu concluir o mandato para focar na eleição do Secretário João Azevêdo, que venceu com tranquilidade no primeiro turno, ratificando a força eleitoral que Coutinho tinha naquele momento.

Os analistas da época criticaram a decisão do Governador, que perdeu a chance de ter oito anos garantidos em Brasília, com grande probabilidade de retornar ao Palácio da Redenção na eleição de 2026. Logo após a eleição de outubro, a Operação Calvário foi deflagrada e Ricardo acabou sendo preso, perdeu as duas eleições na qual disputou e caiu no ostracismo popular.

A decisão de João pode pautar toda a próxima eleição. Se ele decidir por largar o mandato, quem naturalmente se beneficiaria seriam os Ribeiros, que tentariam emplacar Lucas como candidato ao Governo e Daniella como companheira de chapa de Senado do Governador. Essa configuração impactaria fortemente o apoio de Hugo Motta e os Republicanos, que querem um nome do partido em uma das principais disputas majoritárias.

Se João preferir repetir Coutinho e terminar o mandato, a ideia dos Republicanos seria mais fácil de ser aplicada e ele não teria o perigo de perder um dos seus maiores aliados.

Com todas essas hipóteses de conjuntura, o mais provável é que mantendo toda essa força e popularidade, João tente uma das duas vagas ao Senado, mas uma coisa que pode pesar em sua decisão, é a sua idade. O Governador terá 73 anos em 2026 e pode preferir se abster de disputar mais uma eleição, para ficar mais tempo lado da família.

 

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