Quem é Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro preso por Moraes

O ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, voltou a ser destaque nas notícias nesta sexta-feira (2) ao ser preso preventivamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada após a Corte identificar o descumprimento de medidas cautelares que haviam sido impostas durante sua prisão domiciliar, no contexto das ações mais rigorosas contra investigados e condenados pela tentativa de golpe que buscou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.

Trajetória e Papel no Governo Bolsonaro

Formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), Martins é considerado um dos principais integrantes do núcleo ideológico do governo Bolsonaro. Ele foi um personagem central no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado e, embora tenha sido condenado pelo STF, a sentença ainda não é definitiva, pois o prazo para a apresentação de recursos está aberto.

Durante o governo Bolsonaro, Martins foi associado ao chamado “gabinete do ódio”, um grupo acusado de disseminar desinformação contra opositores. O tenente-coronel Mauro Cid, delator da trama golpista, afirmou que Martins apresentou a “minuta golpista” ao ex-presidente, fazendo alterações no texto conforme as propostas de Bolsonaro.

Influência e Conexões

Antes de ingressar no governo, Martins era um analista político ativo em círculos conservadores, influenciado pelo escritor Olavo de Carvalho. Ele ganhou notoriedade por suas críticas à política externa tradicional brasileira e pela defesa de uma agenda nacionalista. Martins esteve próximo de Bolsonaro desde a campanha de 2018, participando da transição de governo e, em 2019, assumindo o cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais.

Ele também teve conexões com a extrema-direita dos Estados Unidos, apresentando Steve Bannon a Bolsonaro em 2018 e participando de reuniões na Casa Branca.

Controvérsias e Condenações

Martins protagonizou um episódio polêmico em março de 2021, quando foi filmado fazendo um gesto interpretado como uma saudação associada ao supremacismo branco durante uma sessão do Senado. Ele negou qualquer relação com ideologias racistas, mas o caso resultou em um processo criminal por racismo. Em dezembro de 2024, foi condenado a dois anos e quatro meses de reclusão, pena convertida em prestação de serviços comunitários e multas.

Investigação da Trama Golpista e Prisões

Após o término do governo Bolsonaro, Martins passou a ser investigado por sua participação na articulação para anular o resultado das eleições de 2022. O STF o incluiu no “núcleo 2” da organização investigada, que tinha a função de sustentar a tentativa de ruptura institucional. As principais acusações incluem:

  • Elaboração e circulação da “minuta do golpe”.
  • Atividades políticas para sustentar a ruptura institucional.
  • Integração em organização criminosa voltada para subversão da ordem democrática.

Martins foi preso pela primeira vez em fevereiro de 2024, mas liberado em agosto do mesmo ano. Sua prisão domiciliar foi autorizada em dezembro de 2025, mas com restrições, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e proibição de contato com outros investigados.

Prisão Preventiva

A prisão preventiva de Martins foi decretada após o STF constatar que ele descumpriu as medidas cautelares ao se envolver em atividades nas redes sociais. A defesa de Martins nega seu envolvimento ativo na tentativa de golpe e alega que ele é alvo de perseguição política. No entanto, o STF afirma ter evidências suficientes de que Filipe Martins desempenhou um papel relevante na tentativa de subversão institucional, consolidando sua posição como uma figura central do bolsonarismo atingida pelas decisões judiciais.