NOVO GOVERNO: Relembre como foram formados todos os Ministérios de Lula

Arte: Marcelo Jr

A montagem de um novo governo é um processo complexo e cansativo. Achar nomes que satisfaçam a população, aliados e o mercado demandam esforços e articulações que muitas vezes ultrapassam convicções e ideologias partidárias.

Luiz Inácio Lula da Silva fez história no dia 30 de outubro de 2022, se tornando pela terceira vez, Presidente do Brasil. Logo após sua vitória, os boatos de quem seriam os escolhidos para a formação do novo Ministério ecoavam por toda a imprensa.

Lula anunciou que aumentaria o número de pastas de 23 para 37, recriando alguns Ministérios e formando outros, como no caso dos Povos Originários. Na posse o Presidente contemplou nomes que fazem parte do PT, Rede, MDB, PSB, PDT, União Brasil, PCdoB, PSOL e PSD.

Nessa matéria nós iremos comparar a formação e os nomes dos Ministérios dos três governos petistas e quais os partidos que foram representados nessas articulações.

Foto: Ivaldo Cavalcante

Governo Lula 2003

Lula foi eleito em 2002 formando uma coligação que continha partidos de centro-direita. Nas três eleições anteriores o PT não soube angariar apoios de setores mais conservadores da sociedade, focando seus esforços em se unir aos opositores da própria esquerda, como no caso de Brizola em 1998.

O final do Governo FHC foi muito turbulento, com uma briga interna dentro do PSDB, para saber quem seria o sucessor. Após a escolha de José Serra em detrimento a Tasso Jereissati, ficou claro que Lula era o favorito para o pleito de outubro. Para confirmar esse favoritismo o petista se aliou a partidos e nomes conservadores, o seu vice José Alencar era um famoso empresário mineiro, do PMN e o outro partido de direita da coligação era o PL atual legenda de Jair Bolsonaro.

Com essas articulações e o apoio de Ciro e Garotinho no segundo turno, Lula foi eleito com uma certa folga sobre Serra e soube montar o seu Ministério com nomes desses partidos aliados. Lula empossou 34 pastas, alguns nomes que podemos destacar são: José Dirceu na Casa Civil; Antônio Palocci, na Fazenda; Guido Mantega, no Planejamento; Ciro Gomes, na Integração Nacional; Dilma Rousseff, em Minas e Energia; e Gilberto Gil, na Cultura.

Nesse primeiro mandato Lula contemplou nomes do PT, PSB, MDB, PPS, PDT, PCdoB, PTB e PL. Uma curiosidade encontrada na formação do primeiro ministério, é o alto número de petistas empregados, dos 34 Ministros, tirando aqueles nomeados exclusivamente por méritos técnicos, nós tivemos apenas sete Ministros filiados a outros partidos – Anderson Adauto, Ciro Gomes, Celso Amorim, Agnelo Queiroz, Miro Teixeira, Roberto Amaral e Walfrido dos Mares Guia.

Os Ministros empossados em 1 de janeiro de 2003 foram:

José Fritsch – PT (Pesca), Nilmário Miranda – PT (Direitos Humanos), José Dirceu – PT (Casa Civil),José Graziano – PT (Segurança Alimentar e Combate à Fome), Emília Fernandes – PT (Direitos da Mulher), Tarso Genro – PT (Desenvolvimento Econômico). Walfrido dos Mares Guia – PTB (Turismo), Marina Silva – PT (Meio Ambiente), Miro Teixeira – PDT (Comunicações), Dilma Rousseff – PT (Minas e Energia), Humberto Costa – PT (Saúde), Ricardo Berzoini – PT (Previdência Social), Benedita da Silva – PT (Assistência e Promoção Social), Luiz Furlan – Sem Partido (Desenvolvimento), Guido Mantega – PT (Planejamento), Roberto Amaral – PSB (Ciência e Tecnologia), Agnelo Queiroz – PCdoB (Esportes) Ciro Gomes – PPS (Integração Nacional), Gilberto Gil – Sem Partido (Cultura), Roberto Rodrigues – Sem Partido (Agricultura), Antônio Palocci – PT (Fazenda), José Viegas – Sem Partido (Defesa), Márcio Thomaz Bastos – Sem Partido (Justiça), Celso Amorim – MDB (Relações Exteriores), Anderson Adauto – PL (Transportes), Cristovam Buarque – PT (Educação) e Jaques Wagner – PT (Trabalho).

Foto: Gustavo Miranda

Governo Lula 2007

Após os turbulentos acontecimentos do primeiro mandato com o escândalo do Mensalão, se acreditava que Lula teria mais dificuldades para se reeleger em 2006. Mas a melhora da economia e dos indicadores sociais deram ao petista um certo favoritismo no pleito de outubro, mesmo que em escala menor que na eleição passada.
Lula formou uma coligação com apenas três partidos, o PCdoB e o PRB (atual Republicanos), que é uma legenda que tem na sua essência nomes da centro-direita. Após a sua reeleição em uma acirrada disputa contra Geraldo Alckmin, o Presidente decidiu aumentar o número de Ministérios para 36, com a criação dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e o da Igualdade Racial.
Esse foi o Ministério com menor representação de outros partidos, apenas PL, PDT, PCdoB, MDB e PTB tiveram nomeações, com o MDB principal parceiro de Lula, englobando um total de cinco pastas no começo do segundo mandato.
Os Ministros empossados em 1 de janeiro de 2007 foram:
Gilberto Gil – Sem Partido (Cultura), Matilde Ribeiro – PT (Igualdade Racial) Paulo Vannuchi – PT (Direitos Humanos), Nilcéia Freire – PT (Direitos da Mulher), Franklin Martins – Sem Partido (Comunicação Social), Márcio Fortes – Sem Partido (Cidades), Guilherme Cassel – PT (Desenvolvimento Agrário),Walfrido dos Mares Guia – PTB (Relações Institucionais), Altemir Gregolin – PT (Pesca), Marta Suplicy – PT (Turismo), Marina Silva – PT (Meio Ambiente), Hélio Costa – MDB (Comunicações), Silas Rondeau – Sem Partido (Minas e Energia), José Gomes Temporão – Sem Partido (Saúde), Luiz Marinho – PT (Previdência Social), Patrus Ananias – PT (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Miguel Jorge – Sem Partido (Desenvolvimento), Paulo Bernardo – PT (Planejamento), Sérgio Rezende – Sem Partido (Ciência e Tecnologia), Orlando Silva – PCdoB (Esporte), Geddel Vieira Lima – MDB (Integração Nacional), Carlos Lupi – PDT (Trabalho), Reinhold Stephanes – MDB (Agricultura), Guido Mantega – PT (Fazenda), Waldir Pires – MDB (Defesa), Dilma Rousseff – PT (Casa Civil), Tarso Genro – PT (Justiça), Celso Amorim – MDB (Relações Exteriores), Alfredo Nascimento – PL (Transportes) e Fernando Haddad – PT (Educação).

Foto: Ricardo Stuckert

Governo Lula 2023

Após 12 anos da sua saída do Palácio do Planalto, Lula teve dificuldades em formar um Ministério que conseguisse atender os anseios dos partidos que irão participar da sua base no Congresso.

A Câmara e o Senado tem um alto contingente bolsonarista, o que forçou Lula a ter que alocar pastas nas mãos de partidos que não o apoiaram nas eleições e que não tem nenhuma similaridade ideológica com a esquerda e o PT.

Mesmo com esses percalços Lula conseguiu formar um Ministério com bastante diversidade. Dos 37 ministros anunciados, 11 mulheres foram nomeadas, tornando o terceiro mandato do petista o que mais tem ministras na história do Brasil, com destaque à Sônia Guajajara (PSOL), a primeira Ministra indígena da República.

MDB, PSB, PDT, União Brasil, PCdoB, PSOL, Rede e PSD fazem parte do novo Ministério focados em formar uma frente ampla para Lula conseguir aprovar os projetos necessários para a reconstrução do país, após quatro anos de Bolsonaro.

Os Ministros empossados em 1 de janeiro de 2023 foram:

Comunicações: Juscelino Filho (União Brasil), Integração e Desenvolvimento Regional: Waldez Góes (PDT), Educação: Camilo Santana (PT), Minas e Energia: Alexandre Silveira (PSD), Esportes: Ana Moser, Transportes: Renan Filho (MDB), Defesa: José Múcio Monteiro, Casa Civil: Rui Costa (PT), Justiça: Flávio Dino (PSB), Fazenda: Fernando Haddad (PT), Portos e Aeroportos: Márcio França (PSB), Agricultura: Carlos Fávaro (PSD), Pesca: André de Paula (PSD), Gestão: Esther Dweck, Relações Institucionais: Alexandre Padilha (PT), Cidades: Jader Filho (MDB),Turismo: Daniela Carneiro (União Brasil), Previdência Social: Carlos Lupi, (PDT), Ciência e Tecnologia: Luciana Santos (PCdoB), Planejamento: Simone Tebet (MDB), Saúde: Nísia Trindade, Relações Exteriores: Mauro Vieira, Igualdade Racial: Anielle Franco, Indústria e Comércio: Geraldo Alckmin (PSB), Povos Indígenas: Sônia Guajajara (PSOL), Mulheres: Cida Gonçalves (PT), Direitos Humanos: Silvio Almeida, Cultura: Margareth Menezes, Desenvolvimento Social: Wellington Dias (PT), Meio Ambiente e Mudanças Climáticas: Marina Silva (Rede), Trabalho: Luiz Marinho (PT), Desenvolvimento Agrário: Paulo Teixeira (PT).

 

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