HEGEMONIAS PARTIDÁRIAS: Analistas políticos apontam semelhanças e diferenças nos 16 anos de Governo de PSB e MDB

Com a reeleição de João Azevêdo o PSB irá emendar 16 anos de poder na Paraíba. A sigla irá empatar com o MDB, que governou o estado entre 1986 e 2002.

Conversando com importantes analistas políticos do estado, essa matéria irá mostrar a história dessas eleições e elencar as principais semelhanças e diferenças entre os dois estilos de governo, que juntos somam 32 anos de dominação no estado.

O MDB era o principal opositor da ARENA nos tempos da Ditadura, o partido que foi um dos articuladores pela volta da Democracia, foi reformado em 1980, tendo que incluir um P ao seu nome, por determinação do TSE, para entrar na era do pluripartidarismo, combatendo principalmente o PDS, que tinha em sua maioria, nomes que eram originários da ARENA.

Na primeira eleição democrática ao Governo em 17 anos, o MDB teve Antônio Mariz como candidato ao pleito, contra Wilson Braga do PDS, o então Deputado Federal, foi a principal figura de uma importante dissidência da ARENA, ao ser preterido na eleição indireta de 1978 em favor de Tarcísio Burity. Ao lado de Tancredo Neves, Mariz fundou o Partido Popular, que foi absorvido pelo MDB em 1982.

Em uma eleição disputada Mariz perdeu para Wilson Braga, mesmo tendo ganho em João Pessoa e Campina Grande, de acordo com o historiador José Octávio Arruda Melo, essa vitória de Braga se assemelha bastante a vitória de João em 2022, ” Quando vi que João venceu sem ganhar nas duas principais cidades, me remeteu a vitória de Wilson em 82, onde Mariz teve muito apoio e venceu até com certa tranquilidade em João Pessoa e Campina Grande, mas Braga conseguiu vencer praticamente em todo o interior e teve uma vantagem de votos tranquila graças ao sertão e o cariri”.

Em 1986, Mariz foi o Deputado Federal mais votado do estado, e foi um ex-rival que conseguiu a primeira vitória da dinastia emedebista na Paraíba. Após sair da ARENA e passar por PDS, PFL e PTB, o ex-Governador Tarcísio Burity, aportou no PMDB e com a desistência de Humberto Lucena, se tornou o candidato do partido. Com o enfraquecimento do PDS e aparição do PFL no cenário nacional, Burity enfrentou Marcondes Gadelha que tinha o apoio de Wilson Braga, e venceu com 61,27% dos votos, contra 37,26% de Marcondes.

Como não existia reeleição, em 1990, o ex-Prefeito de Campina Grande, Ronaldo Cunha Lima foi o escolhido do partido para a eleição estadual, mesmo sem ter o apoio do Governador que saiu da legenda em 1989, para ingressar no PRN e que aderiu a candidatura de João Agripino que ficou em terceiro lugar. Ronaldo teve como seu rival, o ex-Governador Wilson Braga, que agora no PDT, renunciou a Prefeitura de João Pessoa com apenas um ano no cargo. Na primeira eleição que continha dois turnos, Braga venceu no primeiro turno com mais de 36 mil votos na frente, mas com o apoio de Agripino no segundo, Ronaldo teve 55,19% contra 44,81% de Braga.

Após a polêmica saída de Ronaldo do governo no final de 1993, ocasionada pelo famoso Caso Gulliver, seu vice Cícero Lucena ficou o ano de 1994 no poder, e Ronaldo decidiu ser candidato ao Senado, sendo o mais votado no pleito. Senador eleito em 1990 e relator do impeachment de Collor em 1992, Mariz se credenciou mais uma vez para disputar o Governo e de novo contra um Braga, mas nesse caso a desafiante foi Lúcia Braga, esposa do ex-Governador e Deputada Federal. Mariz vingou a derrota em 1982, com uma vitória tranquila ganhando os dois turnos de forma categórica.

Antônio Mariz só teve sete meses a frente do Palácio da Redenção, falecendo em 16 de setembro de 1995, vitimado por um câncer. Em seu lugar entrou seu vice José Maranhão, que já havia sido Deputado Estadual em quatro ocasiões e Deputado Federal três vezes, até ser nomeado companheiro de chapa de Mariz em 1994.

RUPTURA

O candidato natural do partido para a eleição de 1998 era José Maranhão, mas uma ala do partido queria a volta de Ronaldo ao poder, e essa briga resultou em uma disputa apertada nas prévias, onde Maranhão saiu vitorioso, ocasionando a ida de Ronaldo, seu filho Cássio e toda uma ala de apoiadores para o PSDB. Na eleição do mesmo ano, o Governador se reelegeu com uma grande diferença de votos sobre Gilvan Freire, que saiu do partido ao lado dos Cunha Lima e disputou essa eleição pelo PSB. José Maranhão teve 80,72% contra 16,11% de Freire, até hoje a maior vantagem da história em uma disputa estadual.

A briga de Ronaldo e Maranhão se assemelha com a ruptura de João e Ricardo em 2019 e na visão de Josival Pereira, Maranhão e João conseguiram se sobressair, ” Os dois conseguiram se reeleger logo depois, Maranhão teve uma larga vantagem em 1998, mas acabou perdendo para Cássio duas vezes seguidas, em 2002 apoiando Roberto Paulino e contra o próprio Cássio em 2006 e pra piorar o MDB nunca mais conseguiu vencer uma eleição para Governador. No caso de João, Ricardo era seu padrinho político e o Governador conseguiu se reinventar, formar uma base sólida e vencer nessas eleições. Agora vamos esperar para ver como será o resto da carreira política de João para saber se ele conseguiu se sair melhor da ruptura que José Maranhão”.

De acordo com Gildo Araújo a principal diferença entre os anos de dominação do MDB e PSB é o olhar interiorano que Ricardo Coutinho e João Azevêdo implementaram no governo, ” A população do interior da Paraíba sentiu mais a força do estado nos governos do PSB, Ronaldo e Maranhão eram famosos por obras grandiosas, mas a criação de rodovias e os projetos sociais do PSB tiveram mais alcance no interior que era deixado de lado nos anos do MDB em detrimento de João Pessoa e Campina Grande”.

Para Gildo, uma outra importante diferença é como eram pensados os planos de governo entre os dois partidos, ” Mesmo com a alternância de poder no MDB, todos tinham basicamente o mesmo projeto. O único que se diferenciava nesse grupo era Antônio Mariz, que sempre pensou a frente dos seus adversários, eles não tinham um plano estabelecido, cada um pensava de um jeito diferente no MDB. Uma outra coisa que existia naquela época era uma tensão muito grande na Paraíba, muito disso era ocasionado pelos próprios políticos, acontecia muita briga por causa da política estadual, a rivalidade muitas vezes passava para a violência e nos últimos anos, você vê uma rivalidade entre os candidatos mas é algo saudável, muito disso veio a parir de Ricardo Coutinho, que era uma pessoa de trato complicado, mas que nunca descambou para algo mais sério”.

Ricardo Coutinho já tinha sido Vereador da capital duas vezes e Deputado Estadual outras duas, sendo o mais votado do estado em 2002, quando após brigas internas, saiu do PT e ingressou no PSB em 2003. Após duas vitórias em primeiro turno na disputa pela Prefeitura da capital, Coutinho se elegeu Governador em 2010 e elevou o patamar do PSB, transformando a legenda em uma força estadual.

Após a cassação de Cássio Cunha Lima em 2009, José Maranhão que foi o segundo colocado em 2006, tomou posse e era o favorito para a eleição do ano seguinte. A aliança Coutinho e Cunha Lima foi primordial para vitória do socialista que foi o primeiro Governador eleito que não vinha de família tradicional na Paraíba, essa é outra principal diferença na visão de José Octávio, ” Todos os Governadores anteriores eram de famílias políticas e oligárquicas, Braga, Mariz, Ronaldo, Cássio e Maranhão, todos tinha tradição de berço, Ricardo foi um ponto fora da curva, uma pessoa que veio da luta sindical e que chegou ao cargo mais importante do estado”.

A primeira grade ruptura do partido foi em 2012, o vice-Prefeito da capital era Luciano Agra, que após a saída de Ricardo era o candidato natural a reeleição, mas a preferida do Governador era Estela Bezerra, essa disputa estremeceu o partido, que após tensas prévias, decidiram pela candidatura de Estela que acabou ficando em terceiro lugar.

Ricardo se reelegeu em 2014 em uma disputa acirrada contra Cássio Cunha Lima, nessa vez apoiado por Maranhão, conseguindo derrotar as duas maiores lideranças do estado em eleições seguidas, Em 2018, o Governador colocou um nome desconhecido do grande público para concorrer ao Governo, o Secretário João Azevêdo, que nunca tinha disputado uma eleição em sua vida.

Considerado por muitos uma jogada arriscada de Coutinho, que decidiu não disputar a eleição para o Senado, João conseguiu vencer em primeiro turno, algo que não acontecia desde 1998, derrotando Lucélio Cartaxo que era apoiado pelo Prefeito da capital e pelo clã Cunha Lima e mais uma vez José Maranhão em sua última eleição.

A segunda e definitiva ruptura do partido foi em 2019, Ricardo Coutinho e João Azevêdo que eram amigos à mais de trinta anos, romperam relações, ocasionado a saída de João e de vários aliados para o Cidadania e uma fracassada tentativa de volta de Ricardo a Prefeitura da capital em 2020. Após a volta de Coutinho ao PT, o caminho ficou livre João retornar ao PSB em 2022, conseguindo se reeleger, com uma base forte e coesa, se desgarrando da imagem de Ricardo.

Para a ex-Vereadora da capital Sandra Marrocos com quase 20 anos de legenda, com uma pequena ida ao PT em 2020, o partido não esteve em melhor momento e credita ao Presidente Estadual Gervásio Maia e ao Governador, as vitórias e realizações do partido, ” Eu não considero o PSB uma dinastia, nosso partido é socialista e nossas realizações são pensadas no povo, o orçamento popular, o projeto Tá na Mesa, o combate a violência contra a mulher, são importantes marcas do nosso governo, que é propositivo e que sabe conversar com os mais humildes”.

” A volta do Governador foi primordial para o crescimento do nosso partido nessas eleições, muito disso também se deve ao nosso Presidente Gervásio Maia que ficou na legenda mesmo com todos os problemas dos últimos anos, agora o partido tem um Vice-Presidente e uma relevância estadual e nacional, não antes vista em nossa história.”

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